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Como fugir do mundo da sensualidade
O carnaval é considerado a maior festa popular. Não se tem o
sentido preciso da expressão “carnaval”, que, embora se saiba
que deriva do latim, pode vir de várias expressões naquela
língua. Ex. Carnelevãrium, carnilevãria, carnevale, etc.
supondo-se que a segunda parte da expressão seja “vale”, que
significa “adeus”, viria, então, a expressão “carnaval” do latim
“carnevale”, o mesmo que “adeus à carne”. Uma coisa é certa: o
carnaval, festa pagã, comemorada já por vários séculos, surgiu
ou ganhou grande força de uma ligação dos seus praticantes
com a celebração católica da quaresma, período de abstinência
da carne, como alimento, até a chegada da Páscoa, o que vamos
ver mais adiante.
A Enciclopédia Mirador diz assim sobre o carnaval: “Seu modelo
mais famoso, forneceu-o a Itália, sobretudo Roma, acompanhada
por Veneza, Florença, Turim, Ivrea e Nápoles; mas não
poucas cidades da Europa, fora da Itália, rendem ou renderam
culto ao deus carnavalesco”.
A Enciclopédia Mirador diz mais: “Num relacionamento
histórico mais próximo, e certamente mais concreto, é possível
localizar aquela origem em celebrações da antiguidade, de
caráter orgíaco, a exemplo das bacanais e das saturnais romanas”.
No Brasil, os festejos pré-carnavalescos têm início com as
comemorações da passagem de ano, se estendendo até a
chamada terça-feira gorda. “Aí é interrompido para a quaresma,
voltando no chamado sábado de Aleluia, quando se realizam
bailes idênticos aos de Momo.” (Enciclopédia Mirador Vol. 5 -
Pag. 2082-2083).
Com a instituição da quaresma, em que os católicos deviam se
abster do consumo de carne, as pessoas aproveitavam a
chamada terça-feira gorda para fazer grandes festas com grande
consumo de carne, já que na quarta-feira, dia seguinte,
começava o período de jejum de carne até a Páscoa. Daí a
origem da expressão “terça-feira gorda”, numa alusão ao fato
deles aproveitarem o último dia para comer bastante carne, na
véspera do início do período da quaresma, em que não podiam
consumir carne. Essas festas foram crescendo cada ano e novos
elementos foram sendo agregados a elas, como bebidas alcoólicas,
danças, chegando, pela associação dessas coisas, ao seu
caráter orgíaco, algo já antigo na raça humana, vindo desde o
Egito antigo e da Grécia.
Assim, o carnaval surgiu da intenção de se aproveitar ao máximo
os prazeres da carne até a véspera do início da quaresma, onde
se ficava quarenta dias em preparação para a Páscoa. Daí a
ex-pressão “adeus à carne” e a conhecida “terça-feira gorda”.
O DEUS CARNAVALESCO
O carnaval tem um deus, isto é, uma entidade espiritual que o
dirige. E diz-se que um culto é rendido a esse deus carnavalesco. Já
aqui começamos a ver que o carnaval, muito mais do que uma festa
alegre e despretensiosa, é uma forma de culto, culto pagão a um
deus próprio. Ainda que seja uma festa de alegria, está sempre
fadada a terminar em tristeza e penitência. Mas, e o seu deus? Que
deus é esse? A enciclopédia Mirador diz assim: “Momo, figura
mitológica, filho do sono e da noite, era considerado deus pelos
antigos, com alçada (competência, ação) no campo das burlas e
censuras. Em sua representação simbólica, com uma das mãos
levanta a máscara e a segura, com a outra, uma espécie de cetro que
termina por uma cabeça grotesca - a da loucura. Para os carnavalescos,
tal divindade materializa-se na pessoa de um rei, que impera
sobre a folia com o espírito compreensivo (ou permissivo?*) de uma
potestade despida de preconceitos e disposta a aplicar seu mando
(poder) entre cantos alegres, danças e folguedos. Rei Momo I e
Único é a figura suprema da corte canavelesca carioca. Financiado
pelos cofres públicos, comparece a desfiles e bailes, lança proclamações,
em que proscreve aborrecimentos e tristezas, peregrina por
bairros e subúrbios distribuindo graças, e, passado o carnaval, desaparece,
retornando daí um ano, para o reinício pontual do seu
reinado”.
Filho do Sono e da Noite - As palavras “Sono e Noite” estão com
letras maiúsculas por mostrarem esses dois elementos como uma
força espiritual, ou um espírito, como a morte. Na verdade é isto
mesmo, segundo a feitiçaria que aí está embutida. E há uma
simbologia espiritual nisto:
Sono - É uma clara figura do entorpecimento da mente humana, da
cegueira espiritual que paira sobre as pessoas, levando-as a não
enxergarem as verdadeiras implicações espirituais desta festa
profana, bem como das coisas que praticam nesses dias. Isto nos faz
lembrar o que diz a Palavra de Deus: o mundo jaz (dorme) no
maligno. Você já percebeu que, no carnaval, as mentes das pessoas
ficam literalmente entorpecidas, dominadas pelo espírito da festa.
Já observou como ocorre uma mudança de personalidade, onde as
pessoas parecem sair de si mesmas, ficando possuídas das figuras
que escolhem para encarnar naqueles dias? Ex. Homens vestidos de
mulher, fantasiados de morte, etc.
Noite - Quando, dentro da chamada mitologia, Momo é chamado
de filho da Noite, a nós isto só pode soar bem estranho. E mais,
entendemos que esse espírito é derivado de tudo o que diz respeito
às trevas, algo absolutamente contrário à luz. E nos lembramos das
palavras bíblicas: Quem é nascido de Deus, vem para a luz, para
que as suas obras resplandeçam, porque são feitas em Deus. Mas
a Palavra da Verdade diz mais: Deus é luz, e não existem nele trevas
nenhuma.
Eu sou de Deus e vou passar com Ele o meu feriado de carnaval...
Retirado do boletin da Igreja da Orla de Vilha Velha ES
www.igrejadaorla.com.br